O mico leão preto era dado por extinto desde 1905, e por 65 anos este foi o status desta espécie. Em 1970 o Prof. Adelmar Faria Coimbra Filho redescobriu a espécie nas matas do município de Teodoro Sampaio, cuja história nunca foi relatada em detalhes, o que agora passamos a fazer em primeira mão.
| Prof. Dr. Adelmar Faria Coimbra Filho |
Anos antes o Prof. Adelmar já trabalhava com primatas e dedicava sua atenção aos micos leões do Brasil, em especial ao mico-leão-dourado que habita as matas do Rio de Janeiro, estado que adotou para fincar moradia, haja vista ser cearense da cidade de Fortaleza.
Estudou bastante os micos dourado e o preto, e durante suas leituras soube que no Departamento de Zoologia da USP havia peles do mico preto. Partiu para São Paulo, em ônibus interestadual, que à época não eram tão confortáveis como os atuais, e lá chegando encontrou dois exemplares de peles do mico preto e amarelo e preto. Foi neste momento que fez contato com o ilustre Dr. Paulo Vanzoline, com quem travou boas conversas a respeito do assunto.
Em seguida partiu para a Bahia em busca de evidências das áreas aonde era possível encontrar o mico-leão-preto de cara amarela, o que o levou a propor ao antigo IBDF a criação de uma reserva biológica que servisse à conservação in situ desta espécie, o que foi feito muitos anos depois em uma área muito menor que a proposta original, criando-se a Reserva Biológica de Una.
Retornando ao Rio de Janeiro sua curiosidade científica não lhe permitiu descansar. No início das suas investigações no estado de São Paulo atrás do mico leão preto solicitou ao Professor Paulo Nogueira Neto que se informasse com o proprietário da fazenda Paraíso, no município de Gália, Sr. Olavo Ferraz, se sabia da existência nas matas locais de algum tipo de sagüi. A resposta foi negativa, sendo informado que ali existia apenas o macaco prego.
Entretanto, teve a grande sorte de por aquelas matas andar um pesquisador da Universidade Federal do Paraná, que lá estava coletando exemplares de lepidópteros, borboletas e mariposas, o ilustre Dr. Olaf Mielke, que afirmou ter visto um sagüi preto muito ligeiro entre as galhas das árvores. Na década de 1980 Dr. Olaf Mielke revelaria ao mundo a maravilhosa fauna de lepidópteros do Morro do Diabo, com uma coleção de mais de 450 espécies destes belíssimos e importantes animais, inclusive descobrindo uma nova subespécie exatamente na elevação que dá nome ao Parque. O remanescente florestal da fazenda Paraíso transformou-se no que é hoje a Estação Ecológica de Caetetus.
No ano de 1970, partindo do Rio para São Paulo encontrou-se na capital com os pesquisadores do então Serviço Florestal, hoje Instituto Florestal, Walter Emerich, Mauro Moraes Victor e José do Nascimento Kronka, que indicaram as matas do Pontal do Paranapanema e a Reserva do Morro do Diabo com potenciais de abrigar a espécie; estes técnicos conseguiram que o Instituto Florestal provesse ao Prof. Adelmar Coimbra condução adequada, haja vista que o mesmo viajava de ônibus.
Com as informações e o apoio obtidos no Instituto Florestal Prof. Adelmar partiu para a região do Pontal, que ainda possuía florestas remanescentes de maior porte e que poderiam comportar uma população maior desta espécie, o que talvez permitisse contato visual com maior facilidade, se de fato ela ainda vicejasse na natureza.
| Mico-Leão-Preto - Leontopithecus chrysopygys |








